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Prefeitura Municipal de Morro Redondo - RS
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14
14 AGO 2026
DESENVOLVIMENTO RURAL E TURISMO
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GABINETE
IPHAN esteve em Morro Redondo executando etapa do plano de salvaguarda
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Na quarta-feira (12), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do historiador que atua na Superintendência no Rio Grande do Sul na salvaguarda do patrimônio cultural e de bens protegidos, Rafael Klein, e da antropóloga e coordenadora da Coordenação de Apoio aos Bens Registrados de Brasília, Aline Miranda, esteve em Morro Redondo cumprindo atividades da etapa do plano de salvaguarda da tradição doceira de Morro Redondo, patrimônio cultural imaterial reconhecido pelo Iphan desde 2018. Acompanhou a agenda a professora Noris Leal, diretora do Museu do Doce da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Durante a agenda, estiveram no Museu Histórico de Morro Redondo e nas Agroindústrias Vô Jordão e Doces João de Barro.

 

Letícia Santos, secretária de Desenvolvimento Rural e Turismo, comenta que a presença do Iphan na Semana do Patrimônio Imaterial Doceiro de Morro Redondo fortalece o trabalho de salvaguarda da Tradição Doceira, da qual o município faz parte, e ajuda a compreender que salvaguardar não significa apenas preservar o passado, mas, principalmente, criar condições para que essa tradição continue viva no presente e seja transmitida às próximas gerações.

“Entendo que essa salvaguarda também passa pela valorização dos nossos doceiros e doceiras, dos produtores rurais, dos pomares, das agroindústrias, da gastronomia e de todos aqueles que mantêm esse saber-fazer vivo, contribuindo também com o desenvolvimento social do município”, frisa a secretária Letícia.

A vice-prefeita Angelica Boettge dos Santos (PSDB), representando a Prefeitura Municipal, destaca que receber o Iphan e o Museu do Doce no município é muito gratificante, pois há oito anos o município recebeu o reconhecimento federal no Livro dos Saberes do Fazer Doceiro e do legado deixado para as futuras gerações. Ela agradece a todas as entidades que estão juntas nesse trabalho de preservação.

“Essa conversa com o Iphan nos ajuda a abrir uma gama de possibilidades do que podemos fazer para preservar cada vez mais essa tradição”, potencializa.

Noris Leal, diretora do Museu do Doce da UFPel, falou que esta etapa engloba um mapeamento na região da antiga Pelotas dos doceiros e doceiras, com dados que serão apresentados durante o Seminário de Tradição Doceira, realizado nesta sexta-feira (14).

A artesã Edith Buttow apresentou a coleção das artesãs sobre os doces, representada em peças que ilustram o pêssego, laranja, limão, morango, ameixa, melancia, goiaba e marmelo, frutas estas ligadas à cultura doceira. Indo além da fruta, também foram representadas a flor e o galho. Ressaltou a importância da recente presença do artesanato local na Fenadoce.
 

 A 1prenda juvenil do CTG Cancela Grande, Ariani Thiel Wahast, relatou o histórico das atividades executadas desde o reconhecimento da tradição doceira. Em 2018, o CTG Cancela Grande, por meio da invernada pré-mirim, fez uma coreografia de entrada e saída em homenagem às doceiras e doceiros de Morro Redondo.

Ela conta que, no ano passado, foi instigada pelas experiências que teve quando pequena, quando as posteiras artísticas da época levaram uma doceira para ensinar a fazer passa de pêssego, a executar um trabalho com o objetivo de ampliar esse conhecimento para manter a tradição viva e para que não se perca.

Ariani conta que, neste ano, teve a oportunidade de apresentar um trabalho sobre o patrimônio imaterial reconhecido para os alunos do ensino médio do Colégio Estadual Nosso Senhor do Bonfim.

“Percebi que muitos alunos não sabiam da história, algo que vejo como fundamental de sempre ser compartilhado com os jovens para não ficar no anonimato e que prossiga nas futuras gerações”, pontua a jovem.

Os representantes do Iphan deram os parabéns ao município pelas atividades executadas de preservação, como, nesse caso, incentivar jovens a compartilharem conhecimento sobre a salvaguarda desta tradição, que é a sustentabilidade das culturas executadas por grupos da comunidade.

“O bem, quando é reconhecido pelo Iphan, é porque tem força na comunidade, com registro de algo vivo”, ressaltam.

Sabrina detalhou o trabalho do grupo Stiepen, que está presente desde a primeira Festa do Doce Colonial. Já Samuel Rutz comenta:

“A tradição doceira é centenária no município e região, como as compotas de pêssego produzidas pelas indústrias há mais de 120 anos ininterruptos. Como Morro Redondo possui 450 hectares de pêssego e com expansão de lavouras de figo em andamento, três indústrias com produções de milhões de latas ao ano, que também é uma forma de preservação desta cultura. Oportuniza renda, tradição e uma perspectiva de futuro. Tradição não é só papel, mas enfim ser feita na prática com a produção de produtos por gerações”, celebra.

Em sequência, ocorreu um café com uma roda de conversa, onde foram aprofundados com os presentes aspectos que visem à preservação dessa tradição.

Os representantes do Iphan detalharam o que envolve esta vinda ao município, executando a etapa de trabalho do plano de salvaguarda, que é um documento elaborado que vem de encontro ao imaterial reconhecido e visa promover ações que possam fortalecer o bem. Com esta escuta de diferentes segmentos da comunidade, é possível entender as dificuldades e desafios e elencar pontos positivos, como esta ação que está sendo feita nos demais municípios pertencentes à antiga Pelotas, com a identificação de novos produtores e doceiros e doceiras da região, culminando com a expansão deste trabalho.

Trabalho que, daqui a dois anos, será de revalidação deste reconhecimento.

“Esta visita ao Museu, às doceiras e aos doceiros visa conversar sobre como anda a produção, obstáculos, além de relatos dos parceiros, como Prefeitura e pessoas que atuam com o doce, fortalecendo o trabalho das instituições”, apontam.

Eles adiantam que estão reunindo dados que serão analisados e que, posteriormente, retornarão ao município, neste ano ou no próximo, para apresentar um diagnóstico das ações e dos desafios a serem executados para essa continuidade de preservação.

Também estiveram presentes Vivian Rickes Rosa (PSDB), presidente da Câmara de Vereadores; Sabrina Waltzer, chefe do Núcleo de Cultura da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto; Samuel Rutz, engenheiro agrônomo da Emater; Ervino Buttow, representando os fundadores do Museu; Patricia Hackbart, historiadora e arqueóloga, presidente do Conselho Municipal de Cultura; Kamile Muller, museóloga e presidente da Associação Amigos da Cultura; Fernanda Ropke, coordenadora cultural do CTG Cancela Grande; e as prendas.

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