No último domingo (22), foi realizada, em Morro Redondo, a 3ª Gira Cultural “Arte Preta que Movimenta o Território”, em parceria com a Associação Quilombola Vó Ernestina. O evento contou com o apoio do Núcleo de Cultura da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto e da Prefeitura de Morro Redondo.
A Gira Cultural é idealizada por Priscila Couto, mulher preta Odara, mãe independente e produtora cultural, graduanda em Dança (Licenciatura) na Universidade Federal de Pelotas, Octávio Furtado, compositor e saxofonista, graduando em Ciências Musicais pela mesma instituição, e Ludmila Coutinho, mulher negra, professora, artista multifacetada do extremo sul do Rio Grande do Sul e produtora cultural. Os três atuam como Agentes Territoriais de Cultura (ATC), vinculados ao Ministério da Cultura.
Conforme os agentes, a proposta da Gira Cultural é valorizar a cultura preta local, com foco na região de Pelotas e municípios do entorno. A iniciativa também promove formações relacionadas a políticas públicas e leis de incentivo, buscando fortalecer a comunidade tanto como produtora de cultura quanto como proponente apta a pleitear recursos.
Segundo os organizadores, esta edição começou a ser planejada no ano passado, a partir de uma reunião com a Associação Vó Ernestina, representantes da Prefeitura e do setor cultural, em um processo de diálogo aberto. O encontro realizado no domingo abordou políticas públicas e discutiu o acesso a direitos, destacando como práticas culturais cotidianas podem se transformar em projetos e oportunidades de captação de recursos, por meio do compartilhamento de saberes e da valorização dos trabalhos desenvolvidos na comunidade.
O programa dos Agentes Territoriais de Cultura será finalizado em abril, com a avaliação de que a iniciativa contribuiu para fortalecer a percepção sobre a importância dos fazeres culturais e sua transformação em projetos estruturados. Durante a 3ª Gira, também foram debatidas a Lei Aldir Blanc, a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e o Programa Cultura Viva.
A programação incluiu palestra com a produtora e articuladora cultural Renata Pinhatti, coordenadora da Rede Sofá na Rua Brasil Eixo Sul e integrante do Comitê de Cultura no RS, que abordou a produção de projetos culturais, com orientações técnicas e estratégicas sobre elaboração, estruturação e captação de recursos. A palestrante também promoveu reflexões sobre o Conselho de Cultura, sua composição e os debates relacionados à PNAB para 2025 e 2026.
O evento contou ainda com almoço comunitário; roda de capoeira com o Instituto de Capoeira Angola (ICA), do professor Camilo Barbosa; Gira de Saberes com o mestre griô Dilermando Freitas; roda de conversa com o professor de Arqueologia Lúcio Menezes e a produtora cultural Virginia Borges; apresentações do Grupo de Choro Regional Toinha, de Pelotas, e do Bloco Carnavalesco Vó Ernestina; além da Bibliocleta, com mediação de leitura coletiva, e do projeto A Hora do Conto, ambos do Linha Viva, coordenados por Thaís Gonçalves Saggiomo e Carlos Roberto Bonemann Buchweitz. Também houve feira de empreendedores locais.
A vice-prefeita Angélica Boettge dos Santos (PSDB) destacou que a Gira Cultural foi divulgada durante a programação do Carnaval do município, com o objetivo de fortalecer a cultura como espaço de encontro, identidade e construção coletiva. “A cultura transforma realidades. Apoiar iniciativas como a Gira Cultural é acreditar nas pessoas, na identidade do nosso município e no potencial criativo da nossa comunidade”, afirmou. Ao final, a vice-prefeita parabenizou o grupo pelo trabalho desenvolvido na Comunidade Vó Ernestina.
Também estiveram presentes a presidente da Associação Amigos da Cultura, Kamile Muller, e a presidente da Câmara de Vereadores, Vivian Rickes Rosa (PSDB) e a extensionista social da Emater Neiva Borges.
Confira registros:









