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Prefeitura Municipal de Morro Redondo - RS
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AGO
18
18 AGO 2026
DESENVOLVIMENTO RURAL E TURISMO
GABINETE
V Seminário da Tradição Doceira reúne doceiros, pesquisadores e comunidade em Morro Redondo
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O V Seminário da Tradição Doceira de Morro Redondo reuniu, na sexta-feira (14), no Centro de Eventos Valdino Krause, doceiros, pesquisadores, instituições de ensino, representantes de museus, lideranças e a comunidade para celebrar e fortalecer um dos principais patrimônios culturais do município. Reconhecida em 2018 como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Tradição Doceira foi tema de palestras, apresentações, oficinas e relatos de memória durante o evento.

O seminário foi organizado pela Prefeitura de Morro Redondo, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Turismo (SMDRTur), e pelo GT da Salvaguarda da Tradição Doceira, com apoio da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Núcleo de Cultura da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto (SMECD), do Museu de Morro Redondo, da Emater, da Embrapa e da Câmara Municipal de Vereadores.

Na abertura, a secretária municipal de Desenvolvimento Rural e Turismo, Letícia Santos, idealizadora do evento, agradeceu a presença dos doceiros e destacou que o seminário foi pensado, há cinco anos, para valorizar esse saber, resgatá-lo e buscar meios para que a atividade tenha continuidade. Ela também ressaltou a participação das escolas Alberto Cunha e Bonfim, dos alunos, do CTG Cancela Grande e dos parceiros do evento.

A diretora do Museu do Doce da UFPel, professora Noris Leal, salientou o trabalho da instituição na valorização desse patrimônio. A doceira Cintia Costa, representante do GT da Salvaguarda, desejou que a região mantenha a tradição doceira por muitos anos.

A professora de Gastronomia da UFPel Tatiana Gandra comentou a satisfação de participar pela segunda vez do seminário. Nesta edição, segundo ela, a novidade foi a união de dois projetos — Gastronomia em Extensão e Rota do Marmeleiro —, com apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PREC/UFPel), para a realização de uma oficina de marmelo.

O chefe do Escritório Municipal da Emater e engenheiro agrônomo, Evaldo Voss, destacou a importância do envolvimento de todos para preservar a produção de doces que antecede a criação das indústrias. Segundo ele, a prática representava uma forma de conservar as frutas ao longo dos anos e compartilhar os produtos com visitantes.

A gestora de projetos do Sebrae, Jussara Argoud, afirmou que o doce colonial integra a cultura do município e da região e se destaca como produto voltado ao turismo. Ao pensar no futuro, ela apontou o doce como um vetor para o desenvolvimento econômico do município, associado ao cuidado com a tradição que ele simboliza.

O chefe-geral da Embrapa, Leonardo Ferreira Dutra, reforçou a possibilidade de interação entre a atividade e as ações de resgate e manutenção da tradição, associadas ao conhecimento tradicional e ao saber fazer. Para ele, a preservação deve considerar o futuro e aqueles que mantêm esse conhecimento.

A presidente da Câmara Municipal, Vivian Rickes Rosa (PSDB), destacou que o seminário surgiu a partir de uma lei de autoria da então vereadora Letícia Santos. Segundo Vivian, a iniciativa contribui para preservar o doce e valorizar os protagonistas da tradição, os doceiros. Ela também citou a Festa do Doce Colonial como uma forma de estimular a atividade e atrair turistas interessados na história por trás da produção.

A secretária municipal de Saúde, Silvia Wahast, ressaltou a importância de manter viva essa história. Ela também destacou a visita do Iphan e as parcerias estabelecidas, que, segundo ela, agregam conhecimento ao trabalho de preservação.

Representando a Prefeitura, a vice-prefeita Angelica Boettge dos Santos (PSDB) agradeceu aos participantes envolvidos no resgate da memória da tradição doceira, destacando o apoio da UFPel, dos doceiros, da Embrapa, da Emater, do Sebrae, da Câmara Municipal, do CTG Cancela Grande e das escolas, entre outros parceiros.

“Esse sinal dos parceiros é um reconhecimento que nos mostra que o município está fazendo a sua parte, com o cuidado com quem faz isto acontecer que são os produtores e doceiros”.

Angelica também anunciou uma novidade a partir do seminário: a inclusão de jovens no GT da Salvaguarda, que passarão a estudar a tradição doceira.

“Em nome da secretária Letícia agradeço a todos da SMDRTur pelo suporte ao seminário. Fica como legado a memória de um doce como num encontro familiar, Morro Redondo precisa de receita, estar vivo com a história dos doces e suas produções, seja na criação de rótulos nas embalagens, bem como na venda ou estarem ajudando a cuidarem dessa memória”, celebrou.

Após as falas de abertura, o Grupo de Dança Cigana Filhas do Sol realizou uma apresentação.

Histórico e ações de salvaguarda

Na sequência, a secretária Letícia Santos apresentou um histórico do trabalho desenvolvido sob o tema “Da tradição à transformação, nossas conquistas”. Ela relatou as quatro edições anteriores e as ações construídas desde o reconhecimento da tradição como patrimônio, com iniciativas voltadas à manutenção do título e à preservação dos saberes.

A secretária também apresentou ações futuras destinadas a ampliar a visibilidade de produtos e produtores e de suas histórias, além de transformar a tradição doceira em uma política permanente de desenvolvimento econômico, cultural e social.

O pesquisador da Embrapa João Carlos Costa Gomes palestrou sobre o tema “Sincretismo cultural na tradição doceira com fusão de conhecimentos na produção de novidades”. Ele destacou a riqueza cultural marcada pela presença de descendentes de diferentes etnias no território do sul do Estado e a inserção do doce na multifuncionalidade da agricultura familiar.

O pesquisador também relembrou um modo de vida em que as famílias produziam aquilo que consumiam, incluindo produtos que atualmente já não fazem parte do cotidiano. Segundo ele, a tradição doceira se constitui em um contexto de diversidade cultural e tem como desafio o resgate de práticas que vão além da produção do doce.

A professora Noris Leal, acompanhada das museólogas Nicólly Ayres e Kamile Muller, apresentou um mapeamento do saber fazer doceiro iniciado em Morro Redondo e que seguirá pelos demais municípios que integram o patrimônio: Pelotas, Arroio do Padre, Turuçu e Capão do Leão.

O processo de reconhecimento teve início em 2018 e, desde o começo de julho, passa por novas etapas de identificação e documentação. O trabalho busca fortalecer as condições de produção, reprodução e transmissão dos conhecimentos entre os detentores da tradição, por meio de oficinas, ações de registro, produção de materiais e exposições.

Atualmente, o projeto está na etapa de identificação, registro e mapeamento, que também deverá contemplar a Rota do Marmeleiro. Além das oficinas, estão previstas ações educativas com professores dos cinco municípios e uma exposição, até o fim de 2027, com os resultados obtidos durante o projeto.

O levantamento contempla, além dos doceiros identificados, relatos de receitas, trajetórias, modos de fazer e espaços de produção. O projeto-piloto em Morro Redondo já foi concluído e terá continuidade nos demais municípios integrantes.

Em Morro Redondo, foram identificados 19 detentores de registros, sendo 12 na zona urbana e sete na zona rural. Também foram concluídos 19 georreferenciamentos. O levantamento apontou predominância de pessoas mais velhas na produção de doces e a preocupação com a inserção das novas gerações na atividade.

Entre os doces mais presentes estão pêssego, na forma de pessegada, figo, melancia e marmelo, utilizado na produção de marmelada. Entre as formas de preparo estão chimias, compotas, geleias, ambrosias, doce de leite, passas e rapaduras. A produção ocorre predominantemente em residências, propriedades rurais e agroindústrias.

O conhecimento é transmitido por mães, avós, pais e também por meio de cursos. Os relatos incluem experiências iniciadas ainda na infância, com a participação no preparo dos doces, desde ajudar a mexer o tacho até observar e realizar as etapas junto aos familiares.

Os pesquisadores também apontaram que os problemas relacionados à preservação da tradição serão detalhados ao final do trabalho.

Memórias e gastronomia

O evento teve ainda o momento “Vozes da Tradição”, com relatos de protagonistas da tradição doceira e suas memórias relacionadas aos doces e ao artesanato. Participaram Zilda Oliveira, pastor Jorge Signorini, Solange Brizolara Cruz, Marcia Scheer, Cibele Costa, Raquel Muller, Edith Buttow, Doris Rosler, Fernanda Gutkenecht, Priscila Danda e Ariane Thiel Wahast.

Os professores de Gastronomia da UFPel Matheus da Paz e Tatiane Gandra apresentaram detalhes da aula-show realizada com 30 participantes da oficina de preparo do doce “Mil Folhas dos Pomares”. A receita representa a cultura de Morro Redondo e utilizou marmelo, queijo e noz-pecã na produção.

O seminário foi encerrado com uma apresentação do Grupo Stiepen, que também fez o convite para a VIII Festa do Doce Colonial, marcada para este domingo (23), nas dependências do Centro Cultural de Eventos Valdino Krause.

Também participaram do evento a corte municipal, o vereador Thiarles Schneider (PT), o coordenador do Fórum da Agricultura Familiar, Mauro Nolasco, a chefe do Núcleo de Cultura da SMECD, Sabrina Waltzer, o chefe do Núcleo do Iphan no Rio Grande do Sul, Gilmar Pinheiro, além de representantes do CTG Cancela Grande, da Associação Amigos da Cultura, do Conselho de Políticas Culturais e da Associação de Empreendedores de Turismo (AETMORE).

Confira registros: https://www.jornaltradicao.com.br/morro-redondo/geral/v-seminario-da-tradicao-doceira-reune-doceiros-pesquisadores-e-comunidade-em-morro-redondo/

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