O Museu de Morro Redondo, o Núcleo de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMECD) e a Associação Amigos da Cultura promoveram, na tarde de quinta-feira (19), uma atividade voltada às crianças na Praça da Emancipação. A programação incluiu oficina de confecção de máscaras e a criação do “Bloquinho Carnavalinho”, que realizou um mini desfile até a Rua das Extremosas, onde foi instalada recentemente uma placa em homenagem a Elpídio Gonçalves da Silva, idealizador do carnaval de rua no município.
Cerca de 20 crianças participaram do cortejo, que percorreu o trajeto da Praça até o local onde morava Elpídio, reconhecido como pioneiro da festa popular na cidade.
A museóloga do Museu de Morro Redondo, Kamile Muller, afirmou que a iniciativa surgiu a partir da instalação da placa que conta a história do carnaval de rua e de seu idealizador. “Foi a partir dele que o carnaval começou a ganhar forma na cidade, dando os primeiros passos dessa tradição que hoje faz parte da nossa história”, pontua.
Segundo ela, como o museu está em funcionamento regular, a proposta foi criar uma atividade educativa voltada ao público infantil. “A proposta é mostrar que o carnaval também pode ser um momento alegre, acolhedor e pensado para toda a família, incentivando desde cedo o sentimento de pertencimento e a valorização dessa trajetória por meio da criação do nosso próprio bloco, o ‘Bloquinho Carnavalinho’”, explica.
A chefe do Núcleo de Cultura da SMECD, Sabrina Waltzer, destacou o caráter educativo da ação. “O evento Carnavalinho foi lindo, integrando as crianças em um carnaval criativo e trazendo a compreensão da nossa história, a Cultura Popular do carnaval em nosso município desde quando era ainda um distrito de Pelotas. Homenagear o Seu Elpídio, nosso primeiro carnavalesco, foi uma grande ação do Museu Histórico de Morro Redondo, além da oficina e mini desfile. Deixar a mensagem que o carnaval pode ser um evento colaborativo, criativo, alegre, gentil e vivido em família também foi outro objetivo do evento”, diz.
A vice-prefeita Angelica Boettge dos Santos (PSDB) ressaltou o papel cultural da iniciativa. “Este é o Carnaval de Morro Redondo, um carnaval que trabalha com as famílias, que valoriza as crianças, que resgata memórias, que ensina amizade, alegria, respeito e pertencimento. Porque cultura não é apenas festa. É história, é identidade, é legado. Seguimos construindo um município que honra o passado, vive o presente e prepara o futuro com nossas crianças no centro de tudo”, afirma. Em nome da prefeitura, ela agradeceu ao Museu Municipal, ao Núcleo de Cultura e à família de Elpídio, protagonistas da atividade.
Representando a família, os filhos Paulo Jorge e Leda Maria agradeceram a homenagem. “Para a família foi muito importante poder receber esta homenagem com a colocação da placa em homenagem ao nosso pai, o seu Elpídio idealizador do carnaval de rua do município e também foi um momento muito especial poder compartilhar com as crianças alguns momentos de como foi criado e de como era o carnaval daquela época na década de 70, agradecem ainda pelo reconhecimento deste feito cultural que marca a história desta cidade”, declara.
Também prestigiaram o ato a presidente da Câmara de Vereadores, Vivian Rickes Rosa (PSDB), além de familiares de Elpídio — nora, neto e bisnetas — e membros da comunidade.
Resgate histórico
Parte das informações sobre o carnaval de rua de Morro Redondo foi obtida em pesquisa realizada por alunos dos 5º anos do Colégio Estadual Nosso Senhor do Bonfim, nos anos de 2014 e 2015, sob coordenação da professora Rutilde Krüger Feldens.
O carnaval de rua do município teve início no começo da década de 1970 e rapidamente se tornou uma das manifestações culturais mais significativas da comunidade. Apaixonado pela festa, Elpídio acompanhava desfiles de grandes cidades pelo rádio e tinha como referência o carnaval de Pelotas, considerado um dos mais tradicionais do interior do Estado.
Movido pelo desejo de levar a celebração à cidade, ele convidou amigos e vizinhos — entre eles Antenor Couto e Osvaldina — para criar um carnaval que unisse música, dança e fantasias. Um dos personagens mais marcantes era o Boi Salino, confeccionado com armação de taquara e tecido, conduzido por uma pessoa em seu interior que, durante os desfiles, “corria” atrás dos foliões, provocando risadas e sustos.
A primeira edição contou com ampla participação comunitária. Elpídio providenciou materiais para o Boi Salino, organizou uma bateria com instrumentos de percussão, gaita e sopro e promoveu o desfile da primeira rainha do carnaval, Suleni, que percorreu as ruas em um caminhão enfeitado cedido por Helmuth Stein.
Com o passar dos anos, o percurso se ampliou, incluindo trechos da Vila Fiss e chegando até a localidade dos Müller. As ruas eram decoradas com painéis coloridos e iluminadas para os desfiles noturnos. A cada edição, mais moradores se envolviam na organização, na confecção de fantasias e no apoio logístico.
Inicialmente chamado de Bloco Lição de Folia 1 e, depois, Bloco Burlesco Colonial de Morro Redondo, o grupo ficou conhecido popularmente como Bloco do Boi. Também promovia bailes no Salão Esperança, criado por Reinaldo Piske, na Rua das Extremosas, onde eram escolhidas as cortes e realizadas apresentações musicais.
A festa mobilizava toda a cidade. O comerciante José Miguens, de Pelotas, doava retalhos e aviamentos para a produção de figurinos. A Prefeitura colaborava com transporte e apoio estrutural.
Os desfiles seguiram até o final da década de 1990, consolidando-se como símbolo de união e alegria. A Rua das Extremosas permanece na memória coletiva como berço de uma tradição que marcou gerações em Morro Redondo.









